Para: Raquel Dodge (PGR), Ricardo Salles (Ministro do Meio Ambiente), Marcelo Álvaro Antônio (Ministro do Turismo), Tereza Cristina (Ministra da Agricultura), Tarcísio Gomes de Freitas (Ministro da Infraestrutura), Rui Costa (Governador da Bahia)

Porto Sul Não, Sul da Bahia Viva!

Porto Sul Não, Sul da Bahia Viva!

Casa de uma das mais ricas biodiversidades do planeta, a Costa do Cacau está seriamente ameaçada. O governo da Bahia, motivado por investimentos Chineses, está prestes a desmatar centenas de hectares de Mata Atlântica, e degradar mais de 30 km de litoral, para construir um enorme complexo portuário em Ilhéus: Porto Sul.

Esse porto nos foi imposto para que Eurasian Resources Group (ERG) possa exportar minério de ferro de Caetité, alto-sertão baiano, até à China, através sua subsidiária Bahia Mineração (BAMIN). A licença ambiental para a instalação foi obtida sob denúncias de corrupção, segundo a disputa na mais Alta Corte Inglesa que opôs ERG contra Zamin Ferrous, primeira acionista da BAMIN, em 2015.

A barragem de rejeitos da BAMIN seria construída acima do distrito de Guanambi, arriscando 86.000 habitantes. Em janeiro, a barragem de rejeitos de Brumadinho se rompeu, matou cerca de 350 pessoas e destruiu tudo no caminho. Seu conteúdo altamente tóxico acabou no rio Paraopeba, hoje considerado morto pelos cientistas. A barragem de rejeitos da BAMIN seria 15 vezes maior que a de Brumadinho!

A ferrovia que ligaria o Porto Sul ao minério de ferro está abandonada com erros grosseiros de projeto: já custou 3 bilhões de reais e causou grandes danos socioambientais. Feita durante o Programa de Aceleração do Crescimento do governo brasileiro, no final poderá fazer parte da nova Rota da Seda. A rígida "Política de Céu Azul" poderia incentivar empresas chinesas a transferir atividades poluidoras para o Brasil, a fim de reduzir as emissões de carbono em seu território.

Por que isso é importante?

A Costa do Cacau é casa de uma das mais ricas biodiversidades do planeta.

Porto Sul teria um impacto irreversível na fauna e na flora de todo o litoral, inclusive baleias jubarte e tartarugas que se reproduzem aqui cada ano, assim como inúmeras outras espécies ameaçadas. Além dos riscos de poluição química, a poluição sonora subaquática compromete perigosamente a biodiversidade marinha. A população de peixes poderia rapidamente diminuir, sendo afectada sua capacidade de se alimentar, reproduzir e evitar predadores.

No litoral vivemos principalmente de turismo, pesca artesanal, produção de cacau e agricultura familiar. Cada vez mais adotamos um estilo de vida sustentável: reciclagem, agrofloresta e educação ambiental na escola. Enquanto nossas praias atraem ecoturistas do mundo todo, nosso sonho de desenvolvimento inclui a rica identidade cultural da região, marcada por tradições afrobrasileiras e indígenas.

Os pescadores dependem de um ecossistema marinho saudável para sua sobrevivência. O setor do turismo depende de um oceano limpo, florestas luxuriantes e uma cultura preservada. O que seria a Bahia sem a moqueca de dendê ? Além disso esse projeto prejudicaria uma Area de Proteção Ambiental - a Lagoa Encantada – e milhares de nascentes, das quais dependem vilas e cidades vizinhas, assim como a agricultura local, para produção de cacau e alimentos.

As consequências a longo prazo seriam provavelmente catastróficas. O porto motivaria indústrias potencialmente prejudiciais a se estabelecerem na região. Ar, solo e águas seriam severamente poluídos. Privados de seus meios de subsistência, as comunidades rural migram para as periferias urbanas, aumentando desemprego, drogas, violência, depressão, doenças, custos de saúde e segurança.

Ilhéus foi o berço da literatura de Jorge Amado, que contou para o mundo a saga do cacau no meio das florestas, em livros como Gabriela e Terras do Sem Fim. No ano passado, o faturamento dos produtores rurais de cacau da Bahia aumentou de 220%, graças à crescente tendência de chocolate tree-to-bar. A Costa do Cacau poderia ser um exemplo de economia sustentável, florescendo com sua fruta emblemática, desde agroflorestas a cooperativas de chocolate e ecoturismo!

Segundo as noticias, eles pretendem começar os trabalhos no segundo semestre de 2019! Vamos mover o governador da Bahia, os ministros do meio ambiente, turismo, agricultura e infraestrutura, e especialmente o Ministério Público brasileiro, à cancelar Porto Sul!

Ajude-nos a manter o Sul da Bahia Viva assinando a petição : https://www.change.org/p/salve-o-sul-da-bahia

Como será entregue

Bahia

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